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UM TRANSTORNO POUCO COMPREENDIDO

Tricotilomania

Tricotilomania é um transtorno mental que faz com que as pessoas arrancam qualquer pelo corporal, ou seja, cabelo, sobrancelha, cílios, pelos pubianos, da axila, do braço e pernas, barba e do abdômen.

 

Desde Maio de 2013 a tricotilomania está incluída na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana, que é popularmente conhecido como DSM-5, na categoria dos transtornos relacionados ao transtorno obsessivo - compulsivo, anteriormente estava classificada na categoria dos transtornos do impulso.Para que seja considerado um transtorno psiquiátrico o comportamento de arrancar cabelo/pelo tem que preencher os seguintes critérios diagnósticos:

a-) recorrente arrancar dos cabelos, resultando em perda de cabelo;

b-) repetidas tentativas para diminuir ou parar de arrancar o cabelo;

c-) o arrancar cabelo causa sofrimento clinicamente significativo ou comportamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes do funcionamento;

d-) o cabelo arrancado ou a perda do cabelo não é atribuído à outra condição médica;  (por exemplo, uma condição dermatológica);

e-) o comportamento de arrancar cabelo não é melhor explicado pelos sintomas de outro transtorno mental (por exemplo,tentativas de melhorar um defeito percebido ou uma falha na aparência como no transtorno dismórfico corporal).

As pessoas com Tricotilomania puxam o cabelo/pelo em uma quantidade suficiente para causar falha na região em que arranca, comportamento que as levam a desenvolver estratégicas como pentear o cabelo de forma a disfarçar a falha, usarem lenços, perucas, ou maquiagem. Aqueles que arrancam cílios, sobrancelhas, pelo púbico ou outro pelos corporais podem camuflar com maquiagem, roupas ou outros meios.Os cabelos/pelos são arrancados fio por fio com os dedos ou uma pinça e na maioria das vezes esse comportamento ocorre quando estão assistindo televisão, lendo, pensando, falando ao telefone ou se olhando no espelho, trabalhando no computador ou dirigindo. Algumas pessoas descrevem o comportamento tricotilomaníaco como sendo inconsciente, como se não estivessem pensando ou acontecendo nada, já outras apresentam o comportamento de uma forma focada, ou seja, como se estivessem ciente de seu próprio comportamento, mas não tem controle para parar de arrancar.  É muito comum que o comportamento pode desempenhar um papel na regulação de emoções tais como ansiedade, tédio ou depressão. Alguns pacientes narram que após arrancar o cabelo começam alisar e brincar com o fio arrancado e acabam por mordê-lo ou engoli-lo.

Tricotilomania não tem um grupo específico de pessoa, ou seja, não tem idade, sexo, etnias, nacionalidades e classe social para arrancar cabelo. Ela pode começar em qualquer idade, mas a maioria geralmente inicia na infância ou puberdade, ou seja, por volta dos 13 anos. Em alguns casos, puxar o cabelo começa durante uma situação de estresse, mas em muitas outras, o comportamento é desencadeado aparentemente sem motivo algum.É impossível prever a duração da tricotilomania, porém sem tratamento, esse transtorno tende a ser uma condição crônica, que pode aumentar ou diminuir sua severidade ao longo da vida.

Um dado relevante que encontramos nos pacientes atendidos em nosso serviço é que um comportamento que poderia ser doloroso, nos indivíduos com tricotilomania eles apresentam uma resposta diferente para a questão da dor. Muitos relatam que os sentimentos prazerosos contribuem para não pararem com o comportamento de arrancar. Outros descrevem a sensação como similar a uma coceira que proporciona uma sensação de alívio. Ainda outros relatam que é doloroso, porém sentem-se compelidos a arrancar de qualquer maneira. Puxar o cabelo pode levar a lesões por movimentos repetitivos, condição conhecida por “LER”, que é resultado do constante movimento de mover o braço ou as mãos para arrancar o cabelo.

Outro comportamento preocupante é o fato do portador de tricotilomania morder ou engolir todos ou parte dos cabelos/pelos puxados. Quando o cabelo é ingerido torna-se uma condição perigosa, já que pode formar uma bola de pelo ( tricobezoar) no estômago levando a obstrução intestinal e pode exigir cirurgia para removê-la. Esta é uma condição rara, mas grave que pode mesmo ser fatal se não tratada prontamente. O perigo é amplificado pelo fato de que muitas pessoas com tricotilomania tem vergonha de procurar tratamento médico e não comentarem o fato.

A Terapia Cognitivo-Comportamental, também conhecida pela sigla TCC, é uma forma de terapia que visa alterar o comportamento e identificar os fatores precisos que desencadeiam o comportamento de puxar cabelo e ensina habilidades para interromper e redirecionar respostas para esses gatilhos. A TCC deve ser realizada por um psicólogo treinado nesse método e que tenha experiência com o transtorno tricotilomaníaco.

Na nossa prática clinica observamos que muitos pacientes tricotilomaníacos relatam a vergonha e acabam por esconder o transtorno, fato que dificulta a concentrarem em estratégia para reduzirem o comportamento de arrancar cabelo/pelo.No tratamento que oferecemos no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo o tratamento psicoterápico é em grupo e podemos observar que os pacientes têm obtido ganhos significativos com essa proposta de tratamento.